Copa de 104 jogos agora tem preços abusivos em dólares

Copa de 104 jogos agora tem preços abusivos em dólares

A Copa do Mundo de futebol que começa em junho na América do Norte promete ser a edição mais espetacular do esporte mais popular do planeta, com 48 seleções inéditas em 16 cidades, disputando 104 jogos. No entanto, essa edição também está se revelando a mais cara da história, com preços de ingressos que alcançam valores estratosféricos. Os torcedores que sonham em assistir aos jogos estão enfrentando dificuldades para adquirir ingressos devido ao uso de preços dinâmicos baseados na demanda pela FIFA, o que tem gerado uma enxurrada de queixas.

Os preços dos ingressos variam de centenas a milhares de dólares, o que tem deixado os torcedores descontentes e preocupados com a possibilidade de serem manipulados a pagar valores exorbitantes por um assento. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e o procurador-geral de Nova Jersey intimaram a FIFA, exigindo que ela abra o jogo sobre suas práticas de venda de ingressos. A FIFA, por sua vez, não quis comentar as intimações. Esse cenário não é surpreendente para quem conhece a estratégia da FIFA em aproveitar o poder de compra da nação mais rica do mundo e o apetite americano por eventos premium, especialmente após a pandemia.

A abordagem da FIFA para essa Copa do Mundo é radicalmente diferente daquela utilizada em edições anteriores, quando os ingressos eram mantidos em preços razoáveis para atender ao torcedor comum. Agora, a entidade está usando o coquetel poderoso de uma Copa em solo americano para encher o cofre com dinheiro que pretende redistribuir aos seus 211 países-membros. A meta declarada da FIFA é faturar US$ 11 bilhões, um recorde absoluto. Essa mudança de estratégia resultou em uma espiral de preços abusivos que está afastando os torcedores comuns, que estão sendo substituídos por compradores que estão dispostos a pagar mais.

Esse cenário está levando a uma perda de essência do esporte, que está se tornando inacessível para muitos fãs. A situação de Davie Hood, um escocês que desembolsou US$ 1,8 mil por três ingressos para os jogos da fase de grupos da Escócia, é um exemplo claro disso. O valor de R$ 3 mil por assento está se tornando comum, e milhares de outros torcedores estão enfrentando dificuldades semelhantes. A Copa do Mundo, que deveria ser um evento democrático e acessível a todos, está se transformando em um evento elitizado, o que pode afetar negativamente a sua essência e o seu apelo global.