Reforma fiscal expõe R$ 500 bi em risco de crédito.
Um estudo inédito revelou que a reforma tributária brasileira coloca em risco até R$ 500 bilhões em créditos entre empresas no país. A pesquisa aponta que 37% dos fornecedores ativos no mercado nacional podem gerar perda de crédito para seus clientes corporativos, alterando estruturalmente a lógica de compras e a cadeia de suprimentos no Brasil. A nova arquitetura fiscal introduzida pela reforma tributária modifica o mecanismo de aproveitamento de créditos no modelo de IVA dual, composto pela CBS federal e pelo IBS estadual e municipal.
Na prática, o crédito tributário que uma empresa pode recuperar passa a depender diretamente do perfil fiscal do seu fornecedor. Se o fornecedor não recolher corretamente os tributos devidos, o comprador perde o direito ao crédito correspondente. Esse mecanismo cria um risco sistêmico que, segundo o estudo, pode atingir a marca de R$ 500 bilhões considerando o volume total de transações entre pessoas jurídicas no país. O levantamento introduz um índice inédito para mensurar o risco tributário associado a cada fornecedor, que considera histórico de recolhimento, regularidade fiscal e porte da empresa.
O resultado indica que mais de um terço da base de fornecedores ativos representa exposição relevante para as empresas compradoras. Para o mercado corporativo, o impacto é direto: decisões de compra passam a incorporar o risco tributário do fornecedor como variável crítica, ao lado de preço, prazo e qualidade. Isso exige que as áreas de procurement, finanças e compliance das empresas desenvolvam novos processos de due diligence fiscal. A mudança pressiona especialmente setores com cadeias de fornecimento fragmentadas, como varejo, agronegócio e construção civil, onde pequenos fornecedores — com menor capacidade de gestão tributária — representam fatia relevante das compras.
O risco tributário associado ao perfil fiscal do fornecedor pode afetar as decisões de compra, tornando-a uma variável crítica ao lado de preço, prazo e qualidade. As empresas precisarão desenvolver novos processos de due diligence fiscal para mitigar o risco. A mudança pressiona especialmente setores com cadeias de fornecimento fragmentadas, onde pequenos fornecedores representam uma fatia relevante das compras.