Os estados americanos com mais ar-condicionado.
Nas regiões sul e meio-oeste dos Estados Unidos, a concentração mais alta de lares com ar-condicionado é um fenômeno que ultrapassa o simples conforto e se torna um indicador de infraestrutura residencial, vulnerabilidade climática, demanda energética e pressões sobre a saúde pública. Com base nas estimativas de 2023 do U.S. Census Bureau, o programa Local Air Conditioning Estimates (LACE) permite mapear com precisão como o resfriamento doméstico está distribuído pelo país e o que essa distribuição sinaliza sobre tendências de consumo e adaptação climática.
A região que mais concentra lares equipados com ar-condicionado estão nas áreas sul e parte do meio-oeste americano, regiões afetadas por verões longos, alta umidade e ondas de calor frequentes. Estados como a Flórida, Delaware e Oklahoma lideram em termos de uso de ar-condicionado, com índices de aproximadamente 99,50%, 99,49% e 99,49% respectivamente. Logo atrás, Alabama, Luisiana, Nebraska, Missouri e Geórgia superam os 99%. Estados como Texas, Carolina do Sul, Mississippi, New Jersey, Indiana e Iowa ultrapassam os 98,9%. Nesse contexto, o ar-condicionado deixou de ser um bem de consumo discricionário e passou a fazer parte da infraestrutura básica dos imóveis, impactando directamente o planejamento de utilities, o mercado imobiliário e os custos operacionais das empresas.
Já em contraste com essa situação, os grandes estados da Costa Oeste registram taxas significativamente menores de adoção do ar-condicionado. A Califórnia, por exemplo, encontra-se na 46ª posição com apenas 78,61% dos lares equipados com esse dispositivo, enquanto Oregon marca 81,91% e Washington ocupa a antepenúltima posição entre os 50 estados, com 65,79%. Essa discrepância se relaciona ao clima oceânico dessas regiões, com brisas marítimas constantes e verões historicamente amenos, tornando-se menos prioritário o uso de ar-condicionado no processo construtivo.
Durante décadas, grande parte do estoque habitacional dessas regiões foi projetado sem sistemas de climatização central, o que criou uma lacuna de infraestrutura que começa a se tornar um risco. Nesse sentido, a concentração de ar-condicionado nos estados americanos, em especial no sul e no meio-oeste, revela padrões de consumo e adaptação climática que refletem a complexidade da relação entre humanos e meio ambiente.